A humanidade está sendo conduzida por Inteligência Artificial?
O título, é uma pergunta que é muito válida se pensarmos em até que ponto a IA (inteligência artificial) está presente no nosso dia a dia onde cada vez mais pessoas e empresas estão adotando algumas das mais diversas inteligências artificiais (IAs) para customizarem suas experiências, aliviarem suas rotinas ajudando a completarem os seus objetivos pessoais ou até mesmo objetivos corporativos e educacionais, contribuindo para a sua crescente popularidade para as mais diversas pessoas, mas com a sua crescente popularidade, as IAs também podem ajudar a distorcer a nossa realidade reforçando comportamentos discriminatórios e a intolerância de diferentes tipos.[1]
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Adoção generalizada de ferramentas baseadas em IA, segundo pesquisadores do Goldman Sachs Yuichiro Chino/Getty Images[2] |
Diversos algoritmos de IAs, normalmente construídos para aprenderem os diferentes tipos de padrões da pessoa que a utiliza, e assim, automatizar a tomada de decisão em algumas situações facilitando a vida dela, mas também aprendem o comportamento e atitudes da pessoa em que alguns casos podem gerar discriminações, mesmo pouco perceptíveis, mostrado em um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em agosto de 2019, causou uma grande repercussão na imprensa internacional, onde ocorreu um processo de racialização política no YouTube no contexto norte-americano e em diversos países inclusive no Brasil.
O estudo tinha como objetivo entender como ocorreu os pensamentos relacionados a “supremacia branca”, onde o estudo procurou em diversos vídeos de diferentes canais de orientação política e os comentários de seus ouvintes, onde em seus resultados demostrou que esses canais foram beneficiados pela migração de apreciadores de canais politicamente conservadores de conteúdo menos radical e que isso se deve, segundo o estudo, em três fatores: o formato da mídia, o atual cenário político mundial e o algoritmo IA de recomendação (permitindo que os usuários encontrem ou continuem a verem o conteúdo extremista apresentado). Essas recomendações de canais extremistas e da chamada alt-right (direita alternativa) influenciou o resultado das eleições nos EUA e provavelmente nas eleições presidenciais brasileiras em 2018. Além disso, na pandemia da Covid-19 muitas notícias de teorias conspiratórias e desinformações foram disseminadas e recomendadas por IA’s em canais como YouTube desde tratamento ineficazes até mesmo associando a vacinação no desenvolvimento de outras doenças desestimulando a imunização. Após três anos a plataforma decidiu tomar uma atitude e retirar as notícias falsas com relação a pandemia da Covid-19.[3]
Ele e diversos outros IAs de recomendação acabam utilizando a sua atração por reportagens e teorias negativas e conspiratórias para dar mais comprometimento para a plataforma e que esse viés pode ser encontrado nos lugares mais improváveis de aparecer como nos serviços de assistente inteligente de voz nos celulares. Uma parceria entre Universidade de Fortaleza (Unifor) com a UFMG realizou uma pesquisa sobre esses serviços de assistente inteligente de voz onde percebeu que esses softwares de assistente de voz são mais compreendidos em algumas localidades do que em outras. E até em ferramentas de busca também apresentam preconceito, demonstrado pela cientista da computação Camila Souza Araújo em sua dissertação de mestrado pela UFMG, em 2017, onde nos buscadores da Google e Bing, a cientista procurou termos como “mulheres bonitas” e “mulheres feias” e constatou um preconceito indiscutíveis de raça e idade.
Há também projetos de Lei para regulamentar as redes sociais e o uso da IA. Seguindo as tendências da União Europeia, o Projeto de Lei 2.338/2023 apresentado pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD - MG) elaborado por uma comissão de juristas, estabelece direitos às pessoas afetadas pela IA e define parâmetros de supervisão e fiscalização da tecnologia. Além disso, a proposta pretende dar mais transparência ao seu uso e impor padrões éticos como o respeito à privacidade e a democracia.[5]
Segundo o engenheiro de dados norte-americano Fred Benenson, ocorre que os sistemas de inteligência artificial são alimentados por dados e quem faz a seleção de dados são seres humanos, que podem ser movidos por preconceitos de forma inconsciente ou intencional. Para diminuir as chances de ocorrer o preconceito, a desinformação e a intolerância disseminadas pelas IAs é um desafios enfrentados pelas sociedade atualmente e pode ser enfrentado de diversas formas, até mesmo usando a IA como: a identificação de notícias, fotos, áudio e vídeos falsos (Fake News e Deepfake), estudo da autoria dos textos, criação de leis e/ou medidas relacionados aos aspectos discriminatórios dos algoritmos de IAs. Ao começar a diminuir as chances, precisamos começar primeiro a partir da educação, estimulando as crianças, jovens e adultos a desenvolver o espírito crítico, identificar as notícias falsas, educando não somente o usuário e sim também o desenvolvedor.
Referencias:
[1]TUNES. Suzel. A parcialidade dos algoritmos. Nexo Jornal. 2019. Disponível em https://www.nexojornal.com.br/externo/2019/11/24/A-parcialidade-dos-algoritmos. Acesso em 30 de agosto de 2023.
[2]HIADY. Hanna. Como os ganhos de produtividade com a IA podem ajudar a reduzir inflação. CNN Brasil. 2023. Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/como-os-ganhos-de-produtividade-com-a-ia-podem-ajudar-a-reduzir-inflacao/. Acesso em 02 de setembro de 2023.
[3] YONESHIGUE. Bernardo. YouTube anuncia que removerá vídeos com fake news sobre saúde; entenda. O globo. 2023. Disponível em https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2023/08/17/youtube-anuncia-que-removera-videos-com-fake-news-sobre-saude-entenda.ghtml. Acesso em 02 de Setembro de 2023.
[4] TUNES. Suzel. Algoritmos parciais. Pesquisa FAPESP. 2019. Disponível em https://revistapesquisa.fapesp.br/algoritmos-parciais/. Acesso em 30 de agosto de 2023.
[5] MACHADO. Ralph. OLIVEIRA. Marcelo. Proposta regulamenta utilização da inteligência artificial. Agencia Câmara de Notícias. 2023. Disponível em https://www.camara.leg.br/noticias/968967-proposta-regulamenta-utilizacao-da-inteligencia-artificial/. Acesso em 02 de Setembro de 2023

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